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Os Marillion são o grupo expoente
da renovação do rock "sinfónico/progressivo"
iniciada nos anos 80. Um estilo que regressou dos fantasmas
da década anterior, para a aclamação
dos muitos fãs que por cá existem e que hoje
e amanhã os podem ver em Lisboa e no Porto.
O grupo britânico Marillion volta aos palcos portugueses
para apresentar espectáculos no pavilhão Carlos
Lopes, em Lisboa, já hoje, às 21h30, e no Coliseu
do Porto, amanhã, às 22h. A grande novidade
deste regresso a Portugal é a presença do novo
vocalista Steve Hogarth.
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A par dos sobreviventes Yes ou Pink Floyd,
e apesar de mais novos, os Marillion insistem em reviver o
passado monstruoso de pompa e absurdo da década de
80, para lhe dar um novo sangue, apesar de na sua construção
as leis serem as mesmas de antes. O grupo acabou por vencer
devido a uma conceptualização bem artilhada
e um virtuosismo inegável, mas sobretudo por culpa
de um personagem peculiar que ajudou a conceber todos os seus
propósitos. Fish, o antigo "homem da frente"
do grupo, foi a personalização perfeita para
a música que queriam praticar: gigantesco, teatral,
amante de uma banalidade depurada em maneirismos por vezes
duvidosos.
Depois de uma carreira fulgurante, que os trouxe à
ribalta com discos como "Script For A Jester's Tear",
"Fugazi", "Misplaced Childhood", "Clutching
At Straws" e o inevitável duplo ao vivo "The
Thieving Magpie", marco do final de uma era, agora corresponde-lhes
a responsabilidade de reafirmar os méritos, após
o abandono do "gigante" escocês, que entretanto
trocou o grupo por uma carreira a solo relativamente bem sucedida.
Com o novo vocalista Steve Hogarth, que partilha com ele a
mesma paixão pelos standards impostos pelo Peter Gabriel
dos primeiros Genesis, os Marillion julgam ter encontrado
o substituto ideal para apagar a forte imagem da anterior
silhueta. "Season's End", de 89, foi o primeiro
disco que resultou da nova colaboração, e não
parece ter resultado nada mal. "Holidays In Eden",
editado recentemente, segue-lhe as pisadas, avançando
com o single de sucesso "Cover My Eyes (Pain & Heaven)".
O disco inflecte numa direcção mais próxima
da pop de tendência grandiosa, um pouco à maneira
dos Simple Minds, acabando por simplificar um pouco a linguagem
do grupo, o que resultda de uma ultrapassagem da sua própria
herança e tentativa de afirmação de uma
nova personalidade.
Falta agora provar ao vivo que essa substituição
é realmente válida. É que, por muito
que Steve Hogarth se esforce, a recordação da
silhueta de Fish, que entretanto se decidiu pela carreira
a solo, é tão poderosa que vai provocar uma
indefinível sensação de vazio em palco.
Os seus fãs não lhe pouparam os aplauseos aquando
da "tournée" de "Vigol In The Wilderness
Of Mirrors", o seu primeiro álbum em nome próprio,
que também passou por cá. Agora veremos se igual
recepção irá ser destinada aos seus antigos
acompanhantes, mais a nova aquisição.
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