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Marillion actuam hoje em Lisboa e amanhã no Porto
Rock sinfónico em prova de fogo
Texto de Jorge Dias
Público, 2 de Novembro de 1991
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Os Marillion são o grupo expoente da renovação do rock "sinfónico/progressivo" iniciada nos anos 80. Um estilo que regressou dos fantasmas da década anterior, para a aclamação dos muitos fãs que por cá existem e que hoje e amanhã os podem ver em Lisboa e no Porto.

O grupo britânico Marillion volta aos palcos portugueses para apresentar espectáculos no pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa, já hoje, às 21h30, e no Coliseu do Porto, amanhã, às 22h. A grande novidade deste regresso a Portugal é a presença do novo vocalista Steve Hogarth.

A par dos sobreviventes Yes ou Pink Floyd, e apesar de mais novos, os Marillion insistem em reviver o passado monstruoso de pompa e absurdo da década de 80, para lhe dar um novo sangue, apesar de na sua construção as leis serem as mesmas de antes. O grupo acabou por vencer devido a uma conceptualização bem artilhada e um virtuosismo inegável, mas sobretudo por culpa de um personagem peculiar que ajudou a conceber todos os seus propósitos. Fish, o antigo "homem da frente" do grupo, foi a personalização perfeita para a música que queriam praticar: gigantesco, teatral, amante de uma banalidade depurada em maneirismos por vezes duvidosos.

Depois de uma carreira fulgurante, que os trouxe à ribalta com discos como "Script For A Jester's Tear", "Fugazi", "Misplaced Childhood", "Clutching At Straws" e o inevitável duplo ao vivo "The Thieving Magpie", marco do final de uma era, agora corresponde-lhes a responsabilidade de reafirmar os méritos, após o abandono do "gigante" escocês, que entretanto trocou o grupo por uma carreira a solo relativamente bem sucedida.

Com o novo vocalista Steve Hogarth, que partilha com ele a mesma paixão pelos standards impostos pelo Peter Gabriel dos primeiros Genesis, os Marillion julgam ter encontrado o substituto ideal para apagar a forte imagem da anterior silhueta. "Season's End", de 89, foi o primeiro disco que resultou da nova colaboração, e não parece ter resultado nada mal. "Holidays In Eden", editado recentemente, segue-lhe as pisadas, avançando com o single de sucesso "Cover My Eyes (Pain & Heaven)". O disco inflecte numa direcção mais próxima da pop de tendência grandiosa, um pouco à maneira dos Simple Minds, acabando por simplificar um pouco a linguagem do grupo, o que resultda de uma ultrapassagem da sua própria herança e tentativa de afirmação de uma nova personalidade.

Falta agora provar ao vivo que essa substituição é realmente válida. É que, por muito que Steve Hogarth se esforce, a recordação da silhueta de Fish, que entretanto se decidiu pela carreira a solo, é tão poderosa que vai provocar uma indefinível sensação de vazio em palco. Os seus fãs não lhe pouparam os aplauseos aquando da "tournée" de "Vigol In The Wilderness Of Mirrors", o seu primeiro álbum em nome próprio, que também passou por cá. Agora veremos se igual recepção irá ser destinada aos seus antigos acompanhantes, mais a nova aquisição.
artigo submetido por Mónica Guerra Leiria
transcrição de José Carlos Maltez


Última actualização: 27 de Junho de 2011
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