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Praia em noite especial foi boa envolvência para os Marillion
texto A.O. - Rui Cabral, foto de Eduardo Fernandes
Açoriano Oriental - 24 de Setembro de 2001
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Sábado à noite, a praia das Milícias teve um colorido diferente, numa noite em que a música sensitiva dos Marillion começou por estranhar, mas acabou em perfeita sintonia com o bom ambiente que se viveu.

Alguns milhares de pessoa encheram na noite de Sábado a praia das Milícias, dando o colorido desejável ao seu passeio marítimo, aos bares envolventes, e outros montados de propósito para a ocasião. O Festival Ponta Delgada, normalmente realizado no aterro da Calheta Pêro de Teive, tansferiu-se este ano para a praia, proporcionando àquele espaço uma noite muito agradável, fosse ao longo do areal, onde o mar nocturno estava lindíssimo, fosse pelos bares, esplanadas e locais de convívio, que surgiram um pouco por todo o lado.
Diversão que, talvez numa primeira fase, tenha desviado a atenção das pessoas, daquele que era, supostamente, o momento da noite, o concerto dos britânicos Marillion, grande aposta da Câmara Municipal este ano ao organizar o festival. Os Marillion atingiram o auge em termos comerciais no final dos anos oitenta. Banda de referência para muitas pessoas, é também já desconhecida de grande parte dos jovens que, crianças naquela altura, pouco conhecem deste grupo ou do seu tipo de música.

Por isso ao subirem ao palco para um concerto de onze músicas, mais duas no encore, os Marillion começaram por sentir do público alguma frieza. "Não é usual para nós tocarmos numa praia, realmente não é nada usual", disse Steve Hogarth, o vocalista. "Em relação ao concerto propriamente dito", continuou, "ficámos com a sensação de que estávamos a pedir um pouco de mais às pessoas, aliás, fiquei com a sensação que muito poucas pessoas aqui estavam familiarizadas com a nossa música".

O som dos Marillion mantém-se, na verdade, com uma ou outra roupagem nova, uma música muito fiel às suas origens: um rock progressivo caracterizado por músicas longas, envolventemente melódicas e expressivas, pautadas pelos solos de guitarra de Steve Rothery, um acompanhamento assente nos teclados e quebrado, nas suas sequências mais rápidas e mais lentas, pelos breaks característicos da bateria de Ian Mosley. Para o fim, o público de São Miguel correspondeu a uma banda que se soube adaptar e envolver com um ambiante que lhe era, a princípio, estranho.

"Quando saímos do palco esta noite", voltou a dizer Steve Hogarth, "senti que tínhamos conduzido o público a um ponto em que foi uma pena não termos voltado para mais uma hora de concerto, pois era a altura em que as pessoas estavam a entrar no espírito" o vocalista dos Marillion afirmou até que "se pudéssemos, tocávamos de novo amanhã". Depois de visitar alguns sítios da ilha, o grupo pareceu ter gostado de São Miguel.

Steve Hogarth ficou inspirado com as Furnas, a piscina, os vapores de água e a pedra-pomes, que recolheu e guardou várias pedrinhas, como disse, "para pôr depois na minha banheira". Filho de marinheiro, Hogarth diz que tudo o que envolve o mar desperta-lhe grande afecto, desejando por isso voltar um dia aos Açores, que o surpreenderam neste primeiro contacto inesperado. Da organização, disse apenas que "tudo o que precisávamos estava aqui".
artigo submetido por Eduardo Franco
transcrição de José Carlos Maltez


Última actualização: 3 de Abril de 2012
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