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Sábado à noite, a praia das
Milícias teve um colorido diferente, numa noite em
que a música sensitiva dos Marillion começou
por estranhar, mas acabou em perfeita sintonia com o bom ambiente
que se viveu.
Alguns milhares de pessoa encheram na noite de Sábado
a praia das Milícias, dando o colorido desejável
ao seu passeio marítimo, aos bares envolventes, e outros
montados de propósito para a ocasião. O Festival
Ponta Delgada, normalmente realizado no aterro da Calheta
Pêro de Teive, tansferiu-se este ano para a praia, proporcionando
àquele espaço uma noite muito agradável,
fosse ao longo do areal, onde o mar nocturno estava lindíssimo,
fosse pelos bares, esplanadas e locais de convívio,
que surgiram um pouco por todo o lado.
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Diversão que, talvez numa primeira
fase, tenha desviado a atenção das pessoas,
daquele que era, supostamente, o momento da noite, o concerto
dos britânicos Marillion, grande aposta da Câmara
Municipal este ano ao organizar o festival. Os Marillion atingiram
o auge em termos comerciais no final dos anos oitenta. Banda
de referência para muitas pessoas, é também
já desconhecida de grande parte dos jovens que, crianças
naquela altura, pouco conhecem deste grupo ou do seu tipo
de música.
Por isso ao subirem ao palco para um concerto de onze músicas,
mais duas no encore, os Marillion começaram por sentir
do público alguma frieza. "Não é
usual para nós tocarmos numa praia, realmente não
é nada usual", disse Steve Hogarth, o vocalista.
"Em relação ao concerto propriamente dito",
continuou, "ficámos com a sensação
de que estávamos a pedir um pouco de mais às
pessoas, aliás, fiquei com a sensação
que muito poucas pessoas aqui estavam familiarizadas com a
nossa música".
O som dos Marillion mantém-se, na verdade, com uma
ou outra roupagem nova, uma música muito fiel às
suas origens: um rock progressivo caracterizado por músicas
longas, envolventemente melódicas e expressivas, pautadas
pelos solos de guitarra de Steve Rothery, um acompanhamento
assente nos teclados e quebrado, nas suas sequências
mais rápidas e mais lentas, pelos breaks característicos
da bateria de Ian Mosley. Para o fim, o público de
São Miguel correspondeu a uma banda que se soube adaptar
e envolver com um ambiante que lhe era, a princípio,
estranho.
"Quando saímos do palco esta noite", voltou
a dizer Steve Hogarth, "senti que tínhamos conduzido
o público a um ponto em que foi uma pena não
termos voltado para mais uma hora de concerto, pois era a
altura em que as pessoas estavam a entrar no espírito"
o vocalista dos Marillion afirmou até que "se
pudéssemos, tocávamos de novo amanhã".
Depois de visitar alguns sítios da ilha, o grupo pareceu
ter gostado de São Miguel.
Steve Hogarth ficou inspirado com as Furnas, a piscina, os
vapores de água e a pedra-pomes, que recolheu e guardou
várias pedrinhas, como disse, "para pôr
depois na minha banheira". Filho de marinheiro, Hogarth
diz que tudo o que envolve o mar desperta-lhe grande afecto,
desejando por isso voltar um dia aos Açores, que o
surpreenderam neste primeiro contacto inesperado. Da organização,
disse apenas que "tudo o que precisávamos estava
aqui".
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