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Monsieur Sardin nos Marillion
Blitz
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Era uma noite fria. Eles faziam dez anos e estavam em Lisboa. Não que eu fosse um fã incondicional, mas como tinha meia dúzia de cervejas para beber, até os conseguia suportar. Sim estou a falar dos Marillion, o grupo que, para delírio de muitos, actuou no passado dia 29 de Julho no Aqualua, um bar no Aquaparque do Restelo. Este bar, a Rádio Cidade e a Valemtim de Carvalho, touxeram a alguns milhares de espectadores os Marillion. Já sem o Fish, mas os Marillion.
À porta deste recinto aquático era preciso mostrar o convite (a coisa estava bastante controlada) que nos levava a um mundo de escaldantes encontros carnais. O bosque que envolve esta infra-estrutura se tivesse boca tinha muito para contar. Actualmente o ambiente é jovem (também não sei o que é feito das mulheres do meu tempo, já se casaram todas?) e como tal são eles que depois de um copito brincam no bosque à cabra cega às escondidas e as meninas quando dão por ele já andam a usar aquele produto anunciado na T.V. que não sei como, "nem se dá por ele".

Bem, mas eu queria, para além de falar do bar que fugiu à ideia original do ano passado que, como muita gente trás na tola, era uma tendência árabe... Hã, esperem um pouco! Os Marillion começaram a tocar, tenho a impressão que é... "No One Can", não sei o que o tipo quer dizer com aquilo mas, se tivesse aquela camizita que oferecemos há duas semanas conseguia de certeza. Eu estou a brincar meninos, eles até se suportam bem, admito que tive de emborcar meia dúzia de cervejinhas mas porra, se não fosse o álcool a aquecer não eram eles que aqueciam (ainda por cima a minha garina está de férias). Começaram a cantar "Kayleigh" e admito que gostei mais desta versão do que a cantada pelo Fishezinho. Foi tão bonito ver aqueles putos que lutavam por um lugar mais chegado ao palco (pelo menos conseguiram apanhar uma ou duas garrafinhas) cantarem em tom desafinado (tal era a cadela!) Kayleighhhh... Dirigi-me ao balcão e, se não fosse o meu amigo, ainda hoje aguardava aquela fresca cervejola prometida no convite.

Alucinantes gritos ecoavam, vindos do palco. Havia um tipo histérico que com sotaque abrasileirado incitava os presentes a cantarem os parabéns. Os Marillionzinhos, coitados, não entendiam nada, nem boa noite sabiam dar em português. Não entendiam, mas apreciaram as jovens que a Rádio Cidade lhes ofereceu como prenda pelos 10 anos de carreira musical. O concerto acabou, a cerveja acabou e eu também acabo, até prà semana. Ah! Já me esquecia, gostei de ouvir "Sympathy", até foi simpático da parte deles.
artigo submetido por Jorge Blanch
transcrição de José Carlos Maltez


Última actualização: 3 de Abril de 2012
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